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Os idosos e as oportunidades de reconciliação

Publicado por Estevam Costa Marques em 27/06/2012 às 00:00

Desde o início da civilização vemos a grande reverência dada aos anciãos, estes, como fonte de conhecimento e sabedoria. Nossos parentes mais antigos que o digam. Nossos avós, bisavós, etc... cujas histórias são mais próximas de nós, eram exaltados diante de sua experiência de vida e sabedoria.

O ancião não raro era também o sacerdote da comunidade por conta de toda vivência acumulada ao longo de décadas de vida. No texto bíblico do Antigo Testamento, o próprio ancião Moisés, “o libertador da nação Judaica”, mesmo sendo ele próprio um avançado idoso, mesmo tendo sido ele “o escolhido” para ter um diálogo com Deus, consultou outros anciãos de sua comunidade para expor a todos eles as palavras que o Senhor lhe havia ordenado (Êxodo 19.7).Somente após o “parecer” dos anciãos de seu povo, iria decidir o que fazer.

Essa enorme submissão que teve aos idosos demonstrava muito mais do que simples compartilhamento de decisões ou responsabilidades, demonstrava já o prenúncio do respeito ético que tinha com os mais velhos e que veio mais tarde a ser expresso pelo quinto mandamento de Deus: “Honra teu pai e tua mãe para que se prolonguem os teus dias na terra que o Senhor teu Deus te dá” (Êxodo 20.12).

Honrar pai e mãe não significa apenas honrar seus progenitores diretos. Significa também honrar os progenitores deles, seus avós, bisavós, etc... e em última análise, honrar todo aquele que tenha idade ou possa servir-lhe de pai ou mãe, vale dizer, honrar o mais velho, o mais idoso.

Não dá para excluir o respeito aos anciãos quando da exegese ética do quinto mandamento do Senhor. Isso me remete à reflexão sobre o modo como nossa sociedade moderna, atual, vem tratando os nossos idosos. Sinto-os alijados de todos os processos e contextos atuais, com raras exceções, e concluo que nossa sociedade se degrada mais a cada dia pelo simples fato de não estarmos honrando nossos anciãos, anciãos esses que aqui transcendem o conceito exclusivo de pai ou de mãe.

Entretanto, diante da palavra do Senhor, desonramos a eles todos. Desonramos e nos empobrecemos. Manifestação de nossa desonra está no esquecimento. Muitos deles são esquecidos em um canto qualquer. Outros são abandonados à própria sorte em abrigos ou asilos sem a menor compaixão. Por vezes o abandono não é físico, mas é emocional, pois mesmo tendo-os ao nosso lado, não lhes damos a atenção e o carinho que merecem. Nesse sentido, não interagimos mais com eles e assim perdemos seus diálogos, suas ricas histórias e suas sábias palavras. Nos empobrecemos, pois deixamos vazar por entre nossos dedos a insubstituível oportunidade de resgatarmos a sabedoria por eles acumulada.

Uma sociedade que não valoriza os seus velhos é uma sociedade pobre e que não fará história. Precisamos urgentemente resgatar nossos anciãos, incluí-los em nosso diaadia, aprender com eles como nos conduzir inclusive diante dos modernos conflitos e problemas que nossa sociedade degradada vive nos tempos atuais. Enquanto eles viverem, teremos sempre a oportunidade da reconciliação, só não podemos esperar mais.

O tempo pode ser impiedoso com eles, pois seus dias estão no fim, mas será implacável conosco, pois teremos de aprender com a dor diante de nossa “soberba burrice” de pensarmos que não precisamos mais dos conselhos nem da sabedoria dos mais velhos. Isto se aplica a todo o serviço público também.

 

*Estevam Costa Marques é Fiscal de Tributos Estaduais –licenciado e presidente Municipal do PRB Verde - Cuiabá

 

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